quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Agora

Agora pede-me histórias ao adormecer!
Mas não são histórias quaisquer, ou um ou outro qualquer livro de que me lembre.
Consistente com o seu "cama não. oó não" a história tem de ser do personagem que lhe apetecer, recorrente-mente o leão, mas já foi o caracol, e tem de ser até que adormeça
Leve isso o tempo que levar
Agora digam-me, como se intentam histórias "esticáveis" ao quase infinito?...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ontem...

Ontem foi um dia de muitas coisas, desde aniversários a novidades, mas aquilo que mais me marca foi o nunca mais do trabalho da minha mãe. Daquele trabalho, pelo menos.
Porque é daquele trabalho que me lembro e é daquele trabalho que sinto a estranha sensação de vazio, pela ideia de que nunca mais subirei aquelas escadas...
Cresci a ir visitá-la, a telefonar para lá
Inclusive é um dos últimos números de telefone que sei de cor...
Lembro-me de comer iogurte com bolacha maria migada, sentada numa das secretárias.
De me sentar às velhas máquinas de escrever, com o taque taque taque tão característico, quando ainda não sabia sequer escrever...
Lembro-me de fins de tarde de inverno e fazer desenhos nos cadeirões do fundo do corredor
De estranhar a existência de uma banheira na "sala de arquivo/ copa", como se aquele edifício nunca tivesse sido uma casa senhorial e sempre tivesse sido o "trabalho da minha mãe"
Teve colegas que saíram e chefes que mudaram...
E um cofre enorme preto que nunca vi por dentro. uma relíquia que julgo ter existido apenas como decoração
Lembro-me do rádio sempre a tocar baixinho
E da casa de banho... de espreitar por aquela janela para o pátio existente, o autoclismo lá tão alto e a divisória vermelha de vidrinhos pintados!
Tenho uma ideia de cheiro...
É estranho, mas custa-me esta ideia de nunca mais, mas é que há lugares que mesmo não sendo nossos fazem parte de nós, porque crescemos neles e enraizaram-se em nós na quantidade de memórias que lhes estão associadas...
Hoje, respiro um pouco mais nostálgica...